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quinta-feira, abril 12, 2007

A que ponto chegamos?

Ontem saiu na coluna Gente Boa um desabafo do Eduardo Moscovis, ator carioca, sobre a invasão dos paparazzi em sua vida. Um desabafo lúcido, coerente, justo, e eu acrescento por conta própria: cheio de razão. Seguem alguns trechos.

“Esse é um documento-desabafo, um pedido de ajuda, uma denúncia e/ou simplesmente, um relato. Não quero parecer egoísta nem alheio a nossa crítica realidade, por isso peço que sejam tolerantes se acharem que o que me angustia é pouco ou de menor relevância diante das barbaridades, injustiças e impunidades.

Necessito compartilhar esse momento publicamente. Aliás, é sobre esse termo e suas várias interpretações que gostaria de discutir: o que é ser público? Aparecer em milhões de aparelhos de TV me torna pessoa reconhecida publicamente, mas o que isso quer dizer exatamente? Que devo acatar qualquer tipo de abordagem, educada ou não, a qualquer momento? Como devo agir quando percebo estar na mira de celulares com câmeras de altíssimo alcance e refinamento tecnológico?

“Tu não é público? Paga esse preço”, costumo ouvir. (...) Mas, as revistas especializadas oferecem um cachê (ou seria uma recompensa?) caso você, “mortal comum” ao se deparar com um desses que são públicos, bata uma foto. Essas revistas estimulam um comportamento furtivo, invasivo e desrespeitoso, incitando os leitores a serem paparazzi, também. Como distinguir quem é o fã?

(...) Há pouco mais de um mês, fui interceptado pelo meu vizinho dos fundos. Ele me contou ter sido abordado por fotógrafos, que lhe ofereceram dinheiro para deixar que fotografassem o quarto das minhas filhas e do bebê que vai nascer. Semana passada, a mãe de uma atriz e uma diretora de teatro, também vizinhas, me disseram ter recebido a mesma oferta de ‘fotógrafos especializados’.

(...) Devo ainda fechar as cortinas e viver enclausurado porque pode ser que haja em algum apartamento próximo alguém empenhado em expor minha família? Dentro da minha casa? Podem me fotografar com minhas filhas em qualquer lugar, sem a minha autorização? Podem mostrar o rosto delas? Mesmo menores? EU sou a celebridade e não elas.

Porque, quando sai a foto de um ser humano de 16 anos que arrastou um anjo inofensivo por 7 km, o rosto dele é desfocado? Qual é a lógica? Querem preservar esse (e tantos outros) assassino? E minhas filhas? Quem preserva?

(...) Aproveito para agradecer aos vizinhos que me alertaram e peço aos outros que não cedam a esse assédio desqualificado e desonroso. Que nós consigamos nos manter a parte disso tudo. (...) Independente de QUEM somos.

Com esse penúltimo parágrafo, então, concordo em gênero, número e grau. Não entendo porque assassinos, estupradores, criminosos, maiores ou menores de idade, saem em reportagens com camisa na cabeça, tarja nos olhos, rosto desfocado. Para protegê-los ? Ok, até concordo, se não foram julgados, não podem ser discriminados ou maltratados antes de terem provada a culpa. Mas quem nos protege? Quem nos protege se esses indivíduos são mesmo culpados, saem logo livres ou nem mesmo são presos graças a parcialidade, a inoperância e a lerdeza da nossa justiça? A quem devemos evitar, se as pessoas não tem rosto?

Ao mesmo tempo, um rosto de bebê, de criança, de filha ou filho pode ser exposto por aí, devassado, massacrado, usado para vender revistas e todo mundo acha isso normal? Bom, há a velha desculpa, a indústria não se faz sozinha, se há quem vende é porque há quem compra.

Mas onde ficam os direitos das pessoas no meio disso tudo? Não está certo o Eduardo Moscovis, em querer - e ter o direito - de ter privacidade dentro da sua própria casa?

Em épocas de Daniellas, Suzanas Vieiras, BBBs, às vezes não sei pra onde olhar. Onde foi que paramos de nos preocupar com o que é realmente importante e começamos a dar tanta importância ao inútil?

Em que ponto da linha do tempo a violência entrou nas nossas vidas de uma tal forma que nos acostumamos com ela? Quando foi que todo jogador de futebol começou a achar que podia reclamar de qualquer marcação de juiz? Quando foi que jovens começaram a tranquilamente planejar crimes e vender drogas pela internet? Quando foi os menores de 18 passaram a ir pra noite cada vez mais cedo, encher a cara por aí, e os pais acharem tudo normal? Quando foi que passamos a trocar de caminho, ao voltar pra casa, para evitar um determinado sinal? Quando foi que as pessoas passaram a achar graça em assistir a vida de pessoas confinadas, tramando o tempo todo umas contra as outras?

Sim, eu sou tão culpada quanto qualquer um por aí, porque não tomo nenhuma atitude a respeito. Aliás, não faço a mínima idéia de qual atitude tomar. Mas eu não consigo achar normal. Ah, isso não. Eu não consigo me adaptar a esse mundo novo.

Talvez eu esteja apenas ficando velha. Velha o suficiente apenas para me perguntar "A que ponto chegamos?" e não fazer mais nada. Mas alguém fez essa estrada cruzar o meu caminho; não é nela que estou andando, e não é por ela que vou seguir. Isso, sem dúvida alguma.

domingo, março 25, 2007

A troco de nada?

Quantas vezes a gente acredita em algo, acredita que a nossa vontade, o nosso bom humor, os nossos pensamentos positivos vão dar em alguma coisa e, no fim, nada acontece nessa direção?

Acho que já perdi a conta de quantas vezes meu esforço deu em nada. Mas, afinal de contas, o que seria da vida humana, se a cada vez a gente não voltasse a acreditar? Como se nada tivesse dado errado antes, com a mesma fé no que é possível ou impossível, estamos sempre apostando as fichas no que é imprevisível, certos de que a nossa alegria, a nossa crença, a nossa motivação e a nossa coragem virarão o jogo a nosso favor.

Se vai acontecer ou não, nunca sabemos ao certo. Mas quem prefere esperar a derrota em vez da vitória, a cada batalha perdida, deve ter muitas dificuldades pra ser feliz ao longo da vida, creio eu.
Eu penso que não vale desperdiçar os momentos de alegria e fé com pessimismo e amargura, não vale deixar correr soltos aqueles pensamentos soturnos que de vez em quando aparecem no fundo da mente. Simplesmente não vale.

A vida é um jogo aberto, onde tudo pode acontecer. Estar aberto para isso é a parte importante da história. Trabalhar o que vem, curtir, aprender com isso, é o que podemos fazer. E, em última instância (eu diria) é o que é, na verdade, viver.

A word is dead
When it is said,
Some say.

I say
It just begins to live
That day.

Emily Dickinson


segunda-feira, março 12, 2007

Observação inútil

Incrível como com amor a nossa vida fica sempre bem mais feliz, né? Apesar de todo o stress...

segunda-feira, setembro 25, 2006

Tempo

"Tempo e maré não esperam por ninguém, diz o ditado. Tempo não pode ser aumentado ou diminuído, ele é limitado. A direção, velocidade e passagem do tempo não podem ser controladas. Tempo não pode ser guardado, ele só pode ser usado. Tempo é precioso mas perecível e irreversível. Tempo é um recurso crítico e não-renovável. Assim como o capital, o tempo é um bem a ser investido. Com essa consciência, deveríamos usar o tempo de forma valiosa e mudar de escravos para mestres do tempo."

BK Surendran, The wealth of breath, time and thoughts. The World Renewal, April, 2000


Meu tempo anda pouco demais pra isso aqui. Ou isso aqui não é mais prioridade no meu tempo... Quando der, eu apareço.

quinta-feira, agosto 24, 2006

Zona de Conforto

Recebi isso hoje e resolvi deixar aqui, para não esquecer.

FUGINDO DA ZONA DE CONFORTO (Texto de Nélio DaSilva)

É melhor errar do lado do risco do que do lado da precaução. (Alvin
Toffler)

Um dos maiores inimigos da significativa realização é o conforto.

As pessoas estão tão preocupadas com a sua zona de conforto a ponto de não estarem dispostas a fazer aquilo que é necessário para serem bem sucedidas.

Ter que se defrontar com certas pessoas, aprender uma nova habilidade, apresentar as suas idéias, assumir riscos, trabalhar duro – tudo isto – é muito desconfortável, porém, absolutamente necessário na caminhada para uma vida bem sucedida.

Você tem que decidir se deseja uma vida de conforto ou uma vida de realizações.

Você pode ter qualquer coisa, fazer qualquer coisa, e ser aquilo que deseja ser, se simplesmente estiver disposto a dar um passo para fora da sua zona de conforto e tomar as decisões que, necessariamente, devem ser tomadas.

Dê uma boa examinada nas coisas que você faz todos os dias e pergunte a você mesmo por que é que está fazendo essas coisas.

Você as faz porque é familiar, confortável e por que oferecem segurança?

Você, porventura, se encontra ansioso em sair da sua aconchegante zona de conforto?

Porventura tem você evitado fazer certas coisas porque isso pode lhe causar um certo desconforto?

Não permita que você venha ficar muito confortável.

Um curto período de desconforto é muito melhor do que uma vida inteira de olhar desolador ao passado.