segunda-feira, novembro 28, 2005

Tô dizendo...

E não é que Papai Noel resolveu trabalhar mais cedo este ano?
Tudo bem, eu pedi um amor e ele me trouxe um emprego... No mínimo, não sabe ler!
Mas não estou reclamando não, juro, tá, Papai Noel? Tá bom assim, tá ótimo, valeu mesmo!

Isso ainda vai render um post mais caprichado. Afinal de contas, estou começando de novo, do mesmo ponto de partida. Que obviamente não é mais o mesmo. E eu também não sou. Ih, devaneios. Melhor deixar pra outro dia! rsrsrsrs

segunda-feira, novembro 21, 2005

Cartinha pro Papai Noel

Oi Papai Noel. Ontem eu tava ouvindo meu CD do J. Quest e a letra dessa música me chamou a atenção... Sabe, tem me feito falta ter alguém em quem pensar quando fecho os olhos. Então resolvi te mandar essa cartinha! Quem sabe você me dá de presente alguém com quem eu possa viver o que está escrito aqui?
Lê aí e se inspira, tá?
beijo!

Essa não é mais uma carta de amor
São pensamentos soltos traduzidos em palavras
Pra que você possa entender
O que eu também não entendo

Amar não é ter que ter sempre certeza
É aceitar que ninguém é perfeito pra ninguém
É poder ser você mesmo e não precisar fingir
É tentar esquecer e não conseguir fugir, fugir

Já pensei em te largar
Já olhei tantas vezes pro lado
Mas quando penso em alguém é por você que fecho os olhos
Sei que nunca fui perfeito mas com você eu posso ser
Até eu mesmo que você vai entender

Posso brincar de descobrir desenho em nuvens
Posso contar meus pesadelos e até minhas coisas fúteis
Posso tirar a tua roupa
Posso fazer o que eu quiser
Posso perder o juízo
Mas com você eu tô tranquilo, tranquilo

Agora o que vamos fazer, eu também não sei
Afinal, será que amar é mesmo tudo?
Se isso não é amor, o que mais pode ser?
Estou aprendendo também

Já pensei em te largar
Já olhei tantas vezes pro lado
Mas quando penso em alguém é por você que fecho os olhos
Sei que nunca fui perfeito mas com você eu posso ser
Até eu mesmo que você vai entender

Posso brincar de descobrir desenho em nuvens
Posso contar meus pesadelos e até minhas coisas fúteis
Posso tirar a tua roupa
Posso fazer o que eu quiser
Posso perder o juízo
Mas com você eu tô tranquilo, tranquilo

Agora o que vamos fazer, eu também não sei
Afinal, será que amar é mesmo tudo?
Se isso não é amor, o que mais pode ser?
Estou aprendendo também

****************************************************

Ah, você não acredita em Papai Noel? Pois é... nem eu!

quarta-feira, novembro 16, 2005

Paz

3 dias de paz, muito verde, sol e passarinhos cantando. Vacas, cavalos, coelhos, lagartos, insetos e até jacarés imaginários.
"Férias" assim sempre me tiram um pouco do mundo real, me remetem a um outro lugar qualquer a que sinto que pertenço, me renovam a fé, a alma, a saúde, sei lá mais o quê. E também, de uma certa forma, mudam meu ritmo totalmente.
Embora eu já esteja aqui de frente para o computador, há uma sensação de estranheza presente.
O que diacho isso significa? Não sei. Mas que o contato com a natureza sempre me deixa de alguma forma mais perto de Deus e com uma imensa sensação de paz, ah, isso deixa...

quarta-feira, novembro 09, 2005

Mudanças

Mais um texto sobre mudanças, antigo, sem autor, mas bom.
E eu continuo sem escrever aqui com a frequência que deveria... isso ainda vai ter que mudar! :)


PIPOCAS DA VIDA

Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho para sempre. Assim acontece com a gente. As grandes transformações acontecem quando passamos pelo fogo. Quem não passa pelo fogo, fica do mesmo jeito a vida inteira São pessoas de uma mesmice e uma dureza assombrosa. Só que elas não percebem e acham que seu jeito de ser é o melhor jeito de ser. Mas, de repente, vem o fogo. O fogo é quando a vida nos lança numa situação que nunca imaginamos: a dor. Pode ser fogo de fora: perder um amor, perder um filho, o pai, a mãe, perder o emprego ou ficar pobre. Pode ser fogo de dentro: pânico, medo, ansiedade, depressão ou sofrimento, cujas causas ignoramos. Há sempre o recurso do remédio: apagar o fogo! Sem fogo o sofrimento diminui. Com isso, a possibilidade da grande transformação também. Imagino que a pobre pipoca, fechada dentro da panela, lá dentro cada vez mais quente, pensa que sua hora chegou: vai morrer. Dentro de sua casca dura, fechada em si mesma, ela não pode imaginar um destino diferente para si. Não pode imaginar a transformação que está sendo preparada para ela. A pipoca não imagina aquilo de que ela é capaz. Aí, sem aviso prévio, pelo poder do fogo a grande transformação acontece: BUM! E ela aparece como uma outra coisa completamente diferente, algo que ela mesma nunca havia sonhado. Bom, mas ainda temos o piruá, que é o milho de pipoca que se recusa a estourar. São como aquelas pessoas que, por mais que o fogo esquente, se recusam a mudar. Elas acham que não pode existir coisa mais maravilhosa do que o jeito delas serem. A presunção e o medo são a dura casca do milho que não estoura. No entanto, o destino delas é triste, já que ficarão duras a vida inteira. Deus é o fogo que amacia nosso coração, tirando o que nele há de melhor! Acredite que para extrairmos o melhor de dentro de nós temos que , assim como a pipoca, passar pelas provas de Deus Talvez hoje você não entenda o motivo de estar passando por alguma coisa... Mas tenha certeza que quanto mais quente o fogo, maIs rápido a pipoca estoura.

quarta-feira, outubro 19, 2005

Baccio

Já nem me lembrava que em cada baccio (que é um bombom italiano) vinha um papelzinho com frases sobre o amor, em sua maioria. Comi minha caixa inteira, li e reli todas as frases em várias línguas, mas fiquei só com uma:
"Un amico é come il sole: che tu lo veda o no, c'é sempre".
Ou seja: um amigo é como o sol: quer você o veja ou não, ele está sempre lá.

Ah, memórias, memórias... chuva sempre me deixa saudosa!

quinta-feira, outubro 13, 2005

Com saúde não se brinca

Acho a maior graça. Tomate previne isso, cebola previne aquilo, chocolate faz bem, chocolate faz mal, um cálice diário de vinho não tem problema, qualquer gole de álcool é nocivo, tome água em abundância, mas não exagere...
Diante desta profusão de descobertas, acho mais seguro não mudar de hábitos. Sei direitinho o que faz bem e o que faz mal pra minha saúde.
Prazer faz muito bem.
Dormir me deixa 0km.
Ler um bom livro faz-me sentir novo em folha.
Viajar me deixa tenso antes de embarcar, mas depois rejuvenesço uns cinco anos.
Viagens aéreas não me incham as pernas; incham-me o cérebro, volto cheio de idéias.
Brigar me provoca arritmia cardíaca.
Ver pessoas tendo acessos de estupidez me embrulha o estômago.
Testemunhar gente jogando lata de cerveja pela janela do carro me faz perder toda a fé no ser humano.
E telejornais... os médicos deveriam proibir - como doem!
Caminhar faz bem, dançar faz bem, ficar em silêncio quando uma discussão está pegando fogo faz muito bem: você exercita o autocontrole e ainda acorda no outro dia sem se sentir arrependido de nada.
Acordar de manhã arrependido do que disse ou do que fez ontem a noite é prejudicial à saúde.
E passar o resto do dia sem coragem para pedir desculpas, pior ainda.
Não pedir perdão pelas nossas mancadas dá câncer, não há tomate ou mussarela que previna.
Ir ao cinema, conseguir um lugar central nas fileiras do fundo, não ter ninguém atrapalhando sua visão, nenhum celular tocando e o filme ser espetacular, uau!
Cinema é melhor pra saúde do que pipoca.
Conversa é melhor do que piada.
Exercício é melhor do que cirurgia.
Humor é melhor do que rancor.
Amigos são melhores do que gente influente.
Economia é melhor do que dívida.
Pergunta é melhor do que dúvida.
Sonhar é melhor do que nada.


Como bem disse minha prima, que me passou este e-mail: li, concordei e estou repassando.
Ando estressada demais, e se há algo que sei é que stress faz mal à saúde. Ainda bem que há textos como esse pra me lembrar que o bom da vida nem de longe é impossível, distante ou caro (e sempre há um supermercado perto pra comprar um pote tamanho extra-large de sorvete, também! )
Pra variar, mais um texto sem autoria. Acho isso um pecado!

segunda-feira, outubro 10, 2005

A superação de obstáculos

Nesse capítulo do "A Arte da Felicidade", o Dalai Lama diz:

"Se a situação ou problema for tal que possa ser resolvida, não há necessidade de preocupação. Por outro lado, se não houver saída, nenhuma solução, nenhuma possibilidade de equacionar o problema, também não fará sentido nos preocuparmos já que não podemos fazer nada a respeito mesmo."

Achei bom lembrar disso hoje. Não ando podendo perder tempo com preocupações inúteis. ;)

quarta-feira, outubro 05, 2005

Quantas vezes?

Outro daqueles textos que a gente recebe pela internet e guarda, porque é sempre bom reler...

QUANTAS VEZES?

Quantas vezes você andava na rua e sentiu um perfume e lembrou de alguém que você não vê há muito tempo?
Quantas vezes você olhou para uma paisagem em uma foto, e não se imaginou lá com alguém que você gosta muito do seu lado?
Lembra quantas vezes você voltou naquele lugar aonde você começou uma das melhores fases da sua vida? (seja qual for a fase, namoro, amizade, trabalho...)
Você consegue contar nos dedos de uma só mão quantas vezes você brigou com amigos seus porque eles tentaram lhe fazer mudar de idéia e depois você descobriu que eles estavam certos?
Alguma vez você foi ajudado a se levantar pela pessoa que você achava que iria ficar mais feliz com sua derrota?
Quantas vezes você foi apresentado a alguém e não ficou cheio de esperanças?
Quantas vezes você olhou para uma pessoa nas ruas e pensou: Eu te conheço de algum lugar!?
Alguma vez você notou que alguém precisava de ajuda e simplesmente não fez nada e algum tempo depois quando você precisou aquela mesma pessoa te ajudou?
Quantas vezes você já abraçou seus amigos?
Alguma vez você pensou que estava no fundo do poço e achou uma sementinha de algo bom que você nunca teria encontrado se não tivesse ido tão fundo?
Quantas vezes você estava do lado de alguém, e sua cabeça não estava ali?
Alguma vez você já se arrependeu de algo que falou dois segundos depois de ter falado?
Quem sabe dizer quantas vezes você já se tornou frio, ou brigou com pessoas que não tinham nada a ver com seus problemas?
Você deve ter visto que aquele filme que vocês dois viram juntos no cinema, vai dar na TV. Lembrou de algo bom? Depois se gelou porque aquilo já acabou?
Não tem aquela música que você não gosta de ouvir porque lembra algo que você fez enquanto ela tocava há alguns anos atrás?
Ou lembra alguém que você quer esquecer mas não consegue?
Tem alguém que você nunca viu pessoalmente, mas quer conhecer?
Você já sentiu vontade de chorar só de pensar em coisas que eram boas, mas que na época você não dava valor?
Quando você era criança provavelmente não gostava de alguma coisa que hoje em dia adora?
Se você soubesse que iria morrer daqui a 24 horas, o que você faria?
Pra quem você declararia amor? Quem você abraçaria?
Não teve aquele dia em que tudo deu errado, mas que no finzinho aconteceu algo maravilhoso?
Mas teve também aquele dia em tudo deu certo, exceto pelo final que estragou tudo, né?
Alguém olhou nos seus olhos e você trancou a respiração mesmo sem sentir?
Algum dia você ajudou a consolar alguém que nem conhecia bem, (colega, conhecido, vizinho...) e hoje lembra que depois daquilo ficaram amigos?
Você já ajudou alguém e depois essa mesma pessoa te deu as costas?
Têm pessoas que você inventou apelidos carinhosos e que só você chama elas por eles?
Teve um dia há algum tempo que você acabou ficando com alguém apenas para não ficar sozinho?
Você já chorou porque lembrou de alguém que amava e não pôde dizer isso para essa pessoa?
Você já perdeu alguém que gostava muito?
Você já reencontrou um grande amor do passado e viu que ele mudou?
Para essas perguntas existem muitas respostas... Mas o importante sobre elas não é a resposta em si, mas sim o sentimento.
A cada pergunta você lembrou de algo, de alguém, não foi?
Espero que essa lista o tenha ajudado a entender que todos nós erramos, julgamos mal, amamos, que todos um dia não tiveram coragem e hoje se arrependem, que todos já fizeram uma coisa quando o coração mandava fazer outra...

terça-feira, outubro 04, 2005

Cansaço

Fernando Pessoa - Álvaro de Campos

O que há em mim é sobretudo cansaço -
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, êle mesmo,
Cansaço.
A sutileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto em alguém,
Essas coisas todas -
Essas e o que falta nelas eternamente;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.
Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum dêles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...
E o resultado?
Para êles a vida vivida ou sonhada,
Para êles o sonho sonhado ou vivido,
Para êles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço,
Íssimo, íssimo, íssimo,
Cansaço...



Tô me sentindo cansada hoje! :(

segunda-feira, outubro 03, 2005

Cecília Meireles

Recentemente fui apresentada a essa poesia no Orkut. E me identifiquei com ela, totalmente.
Me fez voltar a ler a antologia de poemas da Cecília que tenho aqui. Com certeza ela é mais uma das mestras da nossa literatura! Meio triste, meio melancólica, mas escreve lindamente.


LUA ADVERSA
Cecília Meireles

Tenho fases, como a lua.
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha.

Fases que vão e que vêm
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.

E roda a melancolia
seu interminável fuso!
Não me encontro com ninguém
(tenho fases, como a lua)

No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua...
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu..

quinta-feira, setembro 29, 2005

Cora Rónai

Hoje reproduzo aqui uma boa parte da coluna de Cora Rónai, no Globo, uma das minhas leituras semanais.
Não houve como não me identificar com o que ela escreveu, não só por ter passado recentemente pela minha primeira experiência efetiva de "tentativa de assalto" (graças a Deus por alguém não só desarmado mas bastante ingênuo, ao que me pareceu), mas também porque essa dúvida muitas vezes já me passou pela cabeça e certamente também pela de muitos cariocas como eu: por que continuamos aqui, vendo essa cidade ruir?


Purgatório da Beleza e do Caos http://oglobo.globo.com/jornal/colunas/cora2.asp

(...) Muitas vezes, ao longo dos anos, assistindo a cenas de guerra pela televisão, me espantava com pessoas que insistiam em continuar vivendo no inferno. Não aquelas pobres pessoas destituídas, claro, que nascem e morrem sem qualquer poder de escolha; mas as de algumas posses, que em tese poderiam vender casa e carro, por exemplo, e recomeçar a vida em canto mais sossegado.

Enquanto eu me perguntava como alguém podia continuar a viver em Beirute ou em Jerusalém, minha própria cidade ia se encarregando da resposta. Salvo em guerras declaradas, o cerco da violência é sutil, gradual. Um dia é um assalto aqui, no outro uma morte ali. Mal reparamos quando começamos a evitar as linhas de ônibus mais perigosas, quando deixamos de sair a pé à noite, quando a uma da manhã já mal se vê gente em pontos onde, antigamente, esta era a hora em que a festa começava. O som dos tiroteios vai se integrando à cacofonia urbana, e passamos a achar normal o barulho dos fuzis e metralhadoras que vem dos morros.

Como é que alguém pode viver numa cidade odiada pelo presidente, abandonada pelos governadores e esquecida pelo prefeito? Como é que alguém pode viver numa cidade onde não existe mais segurança alguma, ou vestígios de qualquer coisa semelhante à ordem? Como é que se pode viver numa cidade tomada pela bandidagem e pelas ervas daninhas, suja e esburacada, cheia de mendigos, assaltantes e menores de rua que metem medo até na polícia? Como é que se pode viver numa cidade onde a polícia federal — a polícia federal! — é roubada diante de todos?!

Por que não vamos embora deste inferno para um lugar decente, onde se pode viver em paz, andar pelas ruas a qualquer hora do dia ou da noite e usar transporte coletivo sem risco de vida? Por que nos sujeitamos, de livre e espontânea vontade, ao descaso e ao cinismo das autoridades, à angústia, à violência?

Passei duas semanas na Europa vivendo como, em tese, deveriam viver todas as pessoas do planeta, andando pelas ruas sem medo ou desconfiança. Pude usar minhas câmeras e celulares, andei em bicicletas maravilhosas que jamais sonharia ter aqui, saí com meu relógio de estimação sem receio de que o levassem na primeira esquina. Vivi duas semanas feito gente e, confesso, achei muito bom. O problema é que não vivi na minha língua, não vivi na minha cultura, não vivi na minha querência. Ser turista é ótimo, mas ser estrangeiro não é.

O Rio nunca esteve tão mal, tão triste e tão desamparado; nunca estivemos tão por baixo, tão submissos e acabrunhados. Mas a geografia desta cidade está indelevelmente gravada no meu DNA, e a conversa das ruas é a trilha sonora da minha vida. Para não falar na familiaridade com a beleza, este raro privilégio que temos nós, cariocas, pelo simples fato de vivermos aqui. Há gente que vem de todos os lugares para ver, por alto, o que nós conhecemos a fundo, o que é nosso e o que vemos e veremos todos os dias — até que um pivete nos mate por uma bobagem, a polícia nos acerte por engano ou uma bala perdida nos encontre, só assim.


Hoje eu entendo quem morava em Beirute, quem vive em Jerusalém, quem insiste em não sair de Bagdá.

segunda-feira, setembro 26, 2005

Primavera dos Livros

Este final de semana fui à Primavera dos Livros, feira que reúne pequenas editoras, no Jockey. Que delícia ver os cariocas passeando em torno de livros, conversando, comprando. E crianças reunidas ouvindo estórias...
O Jockey é um lugar bonito e seu aproveitamento como local de eventos foi uma grande idéia. Jà fui a vários eventos lá e sempre adoro, até pela própria atmosfera do lugar.
Mas, voltando aos livros, comprei o de sempre pra mim: dois livros de poesia. Mais um livro técnico e um de presente para minha sobrinha.
Um dos livros que comprei foi o "Olho Frenético" do Mauro Sta. Cecília, autor da "melhor declaração de amor brasileira dos últimos dez anos", segundo Arthur Dapieve: "Por Você", musicada pelo Barão Vermelho.
Sou absolutamente contra interpretar ou explicar poesia, portanto apenas copiarei aqui uma que me atingiu direto no peito. Não espero que o mesmo que aconteça com todos, mas eu gostei! :)


(In) Sensatez

daquela loucura maravilhosa
quero muitas lembranças
e nenhum vestígio

quinta-feira, setembro 22, 2005

Aos 16

Me lembro que foi aos 16 anos que escrevi essa poesia. Até hoje não possuo o bom hábito de anotar as datas, mas essa sei pelo menos em que ano foi... E também me lembro que sentei à máquina de escrever (Deus, nessa época nem computador havia!) e digitei de uma tacada só os versos que me saíam da cabeça.
Talvez tenha sido a única vez em que isso aconteceu até hoje. E eu nunca revisei ou tentei mudar alguma coisa nela. Na verdade, nem gosto dela tanto assim, mas a guardo pelo inusitado da coisa.
Não quero perdê-la nem esquecê-la, e é só por isso que ela está aqui hoje.


Paixão. Paixão e falta de clareza.
O eu. O eu misterioso e inculto,
O lado oculto da lua que brilha, suprema,
Sobre a luz do sol.
A vida. Pobre, insípida vida.
Caco de xícara estraçalhado no cimento,
Inútil, fútil vida desvalorizada.
Os soldados marcham na Terra lama,
Areia movediça de seus pensamentos.
Eles escondem suas faces, com vergonha
De sua imbecil função. Disfunção.
Apaixão – meu navio – naufraga
Nas águas do meu sofrer.
Viver! Como? No meio da lava
De vulcões precocemente extintos?
O amor se arrasta. Morre de sede,
Não há mais condições de sobrevivência.
Só há um sopro de oxigênio,
E todos morrem por ele.
Disputa inútil, mas importante:
Ao menos é algo para fazer.
Não à ilusão:
Mesmo a lua, num eclipse apoteótico,
Sucumbe ao vasto calor dos sóis,
Que se multiplicam aos milhões.
Paixão. Paixão e falta de clareza.
Foram as minhas últimas palavras.

domingo, setembro 11, 2005

Tudo o que eu devia saber na vida aprendi no Jardim de Infância

Hoje estava lendo uma reportagem no Globo, intitulada "Não dói dizer ‘por favor’, ‘obrigado’ e ‘bom-dia’" e me lembrei desse livro do Robert Fulghum - Tudo Que Eu Devia Saber na Vida Aprendi no Jardim-de-Infância.
A matéria fala sobre a crescente falta de educação dos cariocas, constatada em conversas com profissionais que lidam diretamente com o público. Tudo bem, esses profissionais muitas vezes também nos tratam pessimamente; mas isso já é outra história.
O Fulghum fala sobre coisas triviais, banais, mas nem por isso menos extraordinárias. Sobre o vizinho. Sobre as crianças. Sobre cartões de natal. Em uma das histórias do livro, está o "credo" dele, que aqui transcrevo.

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Tudo que eu preciso mesmo saber sobre como viver, o que fazer, e como ser, aprendi no jardim-de-infância. A sabedoria não estava no topo da montanha mais alta, no último ano de um curso superior, mas no tanque de areia do pátio da escolinha maternal. Vejam o que aprendi:

Dividir tudo com os companheiros.
Jogar conforme as regras do jogo.
Não bater em ninguém.
Guardar os brinquedos onde os encontrava.
Arrumar a bagunça que eu mesmo fazia.
Não tocar no que não era meu.
Pedir desculpas, se machucava alguém.
Lavar as mãos antes de comer.
Apertar a descarga da privada.
Biscoito quente e leite frio fazem bem à saúde.
Fazer de tudo um pouco - estudar, pensar e desenhar, pintar, cantar e dançar, brincar e trabalhar, de tudo um pouco - todos os dias.
Tirar uma soneca todas as tardes.
Ao sair pelo mundo, cuidado com o trânsito, ficar sempre de mãos dadas com o companheiro e sempre "de olho" na professora.

Tudo que você precisa mesmo saber está por aí, em algum lugar. A regra de ouro, o amor e os princípios de higiene. Ecologia e política, igualdade e vida saudável.
Escolha um desses itens e o elabore em termos sofisticados, em linguagem de adulto; depois aplique-o à vida de sua família, ao seu trabalho, à forma de governo do seu país, ao seu mundo, e verá que a verdade que ele contém mantém-se clara e firme. Pense o quanto o mundo seria melhor se todos nós - o mundo inteiro -fizéssemos um lanche de biscoitos com leite às 3 da tarde e depois nos deitássemos, cada um no seu colchãozinho, para uma soneca. Ou se todos os governos adotassem, como política básica, a idéia de recolocar as coisas nos lugares onde estavam quando foram retiradas; arrumar a bagunça que tivessem feito.
E é verdade, não importa quantos anos você tenha: ao sair pelo mundo, vá de mãos dadas, e fique sempre de olho no companheiro.

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Ingênuo? Infantil? Pode até ser. Mas eu queria - ah, como eu queria! - que a gente se lembrasse mais e se comportasse mais como quando ainda tínhamos a pureza das crianças...

quarta-feira, agosto 17, 2005

Quando me amei de verdade

Um pequeno livrinho, no original em inglês When I Loved Myself Enough , de Kim McMillen, aqui publicado em formato de bolso pela Editora Sextante, ao preço singelo de 9,90.
Pra variar, uma mensagem simples, bem no estilo auto-ajuda, mas bonita. O texto anda pela internet, como sempre mal atribuído a uma ou outra pessoa... Mas vale pela lembrança de que precisamos nos amar, antes de tudo, e também para que possamos amar aos outros.
O primeiro pedaço peguei no site da editora que, como a Amazon, publica pequenos trechos das obras.
O pedaço seguinte é o que corre por aí, mas em relação a esse não posso garantir que é a tradução correta ou que não foi adulterado.

Quando me amei de verdade, deixei de me contentar com pouca coisa.
Quando me amei de verdade, tomei contato com a minha própria bondade.
Quando me amei de verdade, comecei a valorizar o dom da vida com a maior gratidão.
Quando me amei de verdade, pude compreender que, em qualquer circunstância, eu estava no lugar certo, na hora certa.

Então, pude relaxar.
Quando me amei de verdade, consegui moderar meu ritmo e minha pressa.
E isso fez uma enorme diferença na minha vida.
Quando me amei de verdade, comprei o colchão de penas que desejava havia anos.
Quando me amei de verdade, aprendi a gostar de estar sozinha, rodeada pelo silêncio, usufruindo sua magia, prestando atenção ao meu espaço interior.
Quando me amei de verdade, percebi que posso não ser uma pessoa especial, mas que sou única.


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Quando me amei de verdade pude compreender que, em qualquer circunstância, eu estava no lugar certo, na hora certa. Então pude relaxar.
Quando me amei de verdade pude perceber que o sofrimento emocional é sinal que estou indo contra minha verdade.
Quando me amei de verdade parei de desejar que a minha vida fosse diferente e comecei a ver que tudo que acontece contribui para o meu crescimento.
Quando me amei de verdade comecei a perceber como é ofensivo forçar alguma coisa ou alguém que ainda não está preparado – inclusive eu mesma.
Quando me amei de verdade comecei a me livrar de tudo que não fosse saudável. Isso quer dizer: pessoas, tarefas, crenças e qualquer coisa que me pusesse pra baixo.
Minha razão chamou isso de egoísmo, mas eu hoje sei que é amor-próprio.
Quando me amei de verdade deixei de temer meu tempo livre e desisti de fazer planos.
Hoje faço o que acho certo e no meu próprio ritmo. Como isso é bom!
Quando me amei de verdade desisti de ficar revivendo o passado e de me preocupar com o futuro. Isso me mantêm no presente, que é onde a vida acontece.
Quando me amei de verdade percebi que a minha mente pode me atormentar e me decepcionar. Mas quando eu a coloco a serviço do meu coração, ela se torna grande e valiosa aliada!

segunda-feira, agosto 15, 2005

Imagens

Leve brisa mexendo nas árvores.
Grama verde, bem aparada.
Rio com pedras, que termina em lago e cachoeira.
Uma montanha ao longe.
Lua cor de abóbora.
Criança jogando bola na garagem.
Pai e filho na bicicleta.
Luzes distantes.
Uma rua looooooonga...não se vê o fim.
Um baralho. Um jogo.
Casal de mãos dadas.
Lareira acesa.
O vermelho escuro da taça de vinho contra a luz.
As estrelas do céu...

Relendo Pessoa

"Começo a conhecer-me. Não existo.
Sou o intervalo entre o que desejo ser e os outros me fizeram,
Ou metade desse intervalo, porque também há vida...
Sou isso, enfim...
Apague a luz, feche a porta e deixe de ter barulhos de chinelos no corredor.
Fique eu no quarto só com o grande sossego de mim mesmo.
É um universo barato."

Fernando Pessoa - Álvaro de Campos

"Não consentem os deuses mais que a vida.
Tudo pois refusemos, que nos alce
A irrespiráveis píncaros,
Perenes sem ter flores.
Só de aceitar tenhamos a ciência,
E, enquanto bate o sangue em nossas fontes,
Nem se engelha conosco
O mesmo amor, duremos,
Como vidros, às luzes transparentes
E deixando escorrer a chuva triste,
Só mornos ao sol quente,
E refletindo um pouco."

Fernando Pessoa - Ricardo Reis



Vontade de falar? Que nada. Hoje estou quieta, muda, meio deixando que a saúde afetada sei lá pelo quê tome meu corpo, deixe minha cabeça sem pensar, e me faça levitar por aí enquanto o dia passa...lento...como um barquinho de papel na água.

terça-feira, agosto 09, 2005

Ainda revirando os papéis

Hoje achei isso, sem data, sem que eu ao menos me lembre a que época ou a que caso de amor (?) se refere... Estranho revisitar memórias que se perderam!

Me desculpe por tudo que eu não sei dizer
Por tudo que não faço direito
Pelo que penso de errado
Pelo que deixo de lado

Me desculpe pelo que não chorei
E ficou preso no peito
Me desculpe a falta de jeito
E essa tristeza que sinto,
Com a qual não sei lidar.

E, antes que eu me esqueça,
(e vá embora para não mais voltar)
Me desculpe por não te amar.

segunda-feira, agosto 01, 2005

Frases

Eu coleciono frases e passagens de livros. Mas estou numa fase de me livrar de papéis, portanto acho que aqui elas ficarão melhor guardadas que nos meus armários...

"O amor é tanto, não quanto. Amar é enquanto, portanto. Ponto." - Roberto Freire, "Para quem ainda vier a me amar", no livro Ame e Dê Vexame.

"Viver tem dessas coisas. De vez em quando se fica a zero. E tudo isso é por enquanto. Enquanto se vive." - Clarice Lispector, no livro A Via Crucis do Corpo.

"As almas são árvores. De vez em quando uma folha da minha vai avoando poisar nas raízes da de você. Que sirva de adubo generoso. Com as folhas da sua, lhe garanto que cresço também." - Mario de Andrade, no livro A Lição do Amigo - Cartas de Mario de Andrade a Carlos Drummond de Andrade.

"Nenhuma vida é banal, mesmo as que o são. Sob o trivial oculta-se o extraordinário." - Mauro Rasi

"Libertar os outros das expectativas que temos em relação a eles é amá-los de verdade" - Shirley Mac Laine

"Tudo é provável. Tempo e espaço não existem. Sob a base frágil da realidade, a imaginação constrói suas formas." - Ingmar Bergman, em Fanny & Alexander

"Mas eu desconfio que a única pessoa livre, realmente livre, é a que não tem medo do ridículo." - Luis Fernando Veríssimo

E isso vai me lembrando quanta coisa já li, e que ficou meio perdido na memória...nooooossa! E quero ler ainda mais, pois descobri que tem um monte de coisa boa na coleção L&PM Pocket, tipo "On the Road" do Jack Kerouac e outros milhões de clássicos que nunca li, além de coisas que gostaria de reler, como histórias de Sherlock Holmes e do Inspetor Maigret, poesias de Camões e Neruda, Isaac Asimov, com preços que até meu bolso aguenta! Quem quiser, pode acompanhar o meu interesse aqui: http://www.lpm.com.br/lpm-pock.htm

domingo, julho 31, 2005

Meus bons amigos

Barão Vermelho

Meus bons amigos
Onde estão
Notícias de todos
Quero saber

Cada um fez sua vida
De forma diferente
Às vezes me pergunto
Malditos ou inocentes

Os nossos sonhos
Realidades
Todas as vertigens
Crueldades

Sobre os nossos ombros
Aprendemos a carregar
Toda vontade
Que faz vingar

No bem que fez
Pra mim, assim
Assim, me fez
Feliz assim

O amor sem fim
Não esconde o medo
De ser completo
E imperfeito

A música me veio à cabeça logo que acordei hoje, e está aqui para ilustrar o título do post. Eu não tive a oportunidade de escrever sobre amizade neste 20 de julho, nem mandar mensagens, pois foi um dia um pouco conturbado para mim.
Mas, como disse o sábio e nobre Mario Quintana, "a amizade é uma espécie de amor que nunca morre", e não tem hora nem lugar para ser celebrada.

Ontem eu tive o privilégio de estar em uma festa cercada por aqueles que são os meus melhores amigos. Cada um deles vem partilhando comigo de vários e diferentes momentos da minha vida (nossa! e quão diferentes, penso eu com meus botões aqui), cada qual com a sua contribuição, o seu jeito de ser, a sua única e valiosa maneira de demonstrar amor, carinho, amizade.
Dizer que eu pensei nisso ontem? Não, mentira, não pensei. Ontem me diverti e me senti muito feliz por ver, a cada olhada pro lado, pra frente, pra trás, alguém de quem gosto muito. Eu estava tão feliz que o aniversário parecia meu. Acho que dei uns vinte mil abraços...rsrs

Hoje essa felicidade continua aqui, o sorriso vindo fácil ao rosto, ao pensar nos meus bons e tão queridos amigos.
Todos já plantaram sua arvorezinha no meu coração, uma árvore de raízes fortes. Não importa que o ritmo de nossas vidas não se possa acompanhar, esteja em constante mudança e mutação. Assim é a vida, assim somos nós, seres com interesses, crenças e prioridades diversas. Eu sinto aqui dentro que a árvore pode perder as folhas, ficar meio seca, parecer sem graça, carente de atenção e dedicação, mas não morre. Bastará sempre (e apenas) um pouco de adubo e afeto e a árvore crescerá novamente, terá folhas verdes, dará frutos.
E essa sensação me enche de alegria, de conforto, de sei lá mais o quê.

Me dá vontade de retribuir em amor. Me dá vontade de dizer a todos os meus amigos: eu amo vocês! Porque pra isso não há hora nem local apropriado. Que seja aqui, então. Neste lugar que é o meu canto no meio do mundo da internet. Que seja hoje: um dia como qualquer outro, mas, principalmente, um dia feliz. :)