segunda-feira, outubro 03, 2005

Cecília Meireles

Recentemente fui apresentada a essa poesia no Orkut. E me identifiquei com ela, totalmente.
Me fez voltar a ler a antologia de poemas da Cecília que tenho aqui. Com certeza ela é mais uma das mestras da nossa literatura! Meio triste, meio melancólica, mas escreve lindamente.


LUA ADVERSA
Cecília Meireles

Tenho fases, como a lua.
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha.

Fases que vão e que vêm
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.

E roda a melancolia
seu interminável fuso!
Não me encontro com ninguém
(tenho fases, como a lua)

No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua...
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu..

quinta-feira, setembro 29, 2005

Cora Rónai

Hoje reproduzo aqui uma boa parte da coluna de Cora Rónai, no Globo, uma das minhas leituras semanais.
Não houve como não me identificar com o que ela escreveu, não só por ter passado recentemente pela minha primeira experiência efetiva de "tentativa de assalto" (graças a Deus por alguém não só desarmado mas bastante ingênuo, ao que me pareceu), mas também porque essa dúvida muitas vezes já me passou pela cabeça e certamente também pela de muitos cariocas como eu: por que continuamos aqui, vendo essa cidade ruir?


Purgatório da Beleza e do Caos http://oglobo.globo.com/jornal/colunas/cora2.asp

(...) Muitas vezes, ao longo dos anos, assistindo a cenas de guerra pela televisão, me espantava com pessoas que insistiam em continuar vivendo no inferno. Não aquelas pobres pessoas destituídas, claro, que nascem e morrem sem qualquer poder de escolha; mas as de algumas posses, que em tese poderiam vender casa e carro, por exemplo, e recomeçar a vida em canto mais sossegado.

Enquanto eu me perguntava como alguém podia continuar a viver em Beirute ou em Jerusalém, minha própria cidade ia se encarregando da resposta. Salvo em guerras declaradas, o cerco da violência é sutil, gradual. Um dia é um assalto aqui, no outro uma morte ali. Mal reparamos quando começamos a evitar as linhas de ônibus mais perigosas, quando deixamos de sair a pé à noite, quando a uma da manhã já mal se vê gente em pontos onde, antigamente, esta era a hora em que a festa começava. O som dos tiroteios vai se integrando à cacofonia urbana, e passamos a achar normal o barulho dos fuzis e metralhadoras que vem dos morros.

Como é que alguém pode viver numa cidade odiada pelo presidente, abandonada pelos governadores e esquecida pelo prefeito? Como é que alguém pode viver numa cidade onde não existe mais segurança alguma, ou vestígios de qualquer coisa semelhante à ordem? Como é que se pode viver numa cidade tomada pela bandidagem e pelas ervas daninhas, suja e esburacada, cheia de mendigos, assaltantes e menores de rua que metem medo até na polícia? Como é que se pode viver numa cidade onde a polícia federal — a polícia federal! — é roubada diante de todos?!

Por que não vamos embora deste inferno para um lugar decente, onde se pode viver em paz, andar pelas ruas a qualquer hora do dia ou da noite e usar transporte coletivo sem risco de vida? Por que nos sujeitamos, de livre e espontânea vontade, ao descaso e ao cinismo das autoridades, à angústia, à violência?

Passei duas semanas na Europa vivendo como, em tese, deveriam viver todas as pessoas do planeta, andando pelas ruas sem medo ou desconfiança. Pude usar minhas câmeras e celulares, andei em bicicletas maravilhosas que jamais sonharia ter aqui, saí com meu relógio de estimação sem receio de que o levassem na primeira esquina. Vivi duas semanas feito gente e, confesso, achei muito bom. O problema é que não vivi na minha língua, não vivi na minha cultura, não vivi na minha querência. Ser turista é ótimo, mas ser estrangeiro não é.

O Rio nunca esteve tão mal, tão triste e tão desamparado; nunca estivemos tão por baixo, tão submissos e acabrunhados. Mas a geografia desta cidade está indelevelmente gravada no meu DNA, e a conversa das ruas é a trilha sonora da minha vida. Para não falar na familiaridade com a beleza, este raro privilégio que temos nós, cariocas, pelo simples fato de vivermos aqui. Há gente que vem de todos os lugares para ver, por alto, o que nós conhecemos a fundo, o que é nosso e o que vemos e veremos todos os dias — até que um pivete nos mate por uma bobagem, a polícia nos acerte por engano ou uma bala perdida nos encontre, só assim.


Hoje eu entendo quem morava em Beirute, quem vive em Jerusalém, quem insiste em não sair de Bagdá.

segunda-feira, setembro 26, 2005

Primavera dos Livros

Este final de semana fui à Primavera dos Livros, feira que reúne pequenas editoras, no Jockey. Que delícia ver os cariocas passeando em torno de livros, conversando, comprando. E crianças reunidas ouvindo estórias...
O Jockey é um lugar bonito e seu aproveitamento como local de eventos foi uma grande idéia. Jà fui a vários eventos lá e sempre adoro, até pela própria atmosfera do lugar.
Mas, voltando aos livros, comprei o de sempre pra mim: dois livros de poesia. Mais um livro técnico e um de presente para minha sobrinha.
Um dos livros que comprei foi o "Olho Frenético" do Mauro Sta. Cecília, autor da "melhor declaração de amor brasileira dos últimos dez anos", segundo Arthur Dapieve: "Por Você", musicada pelo Barão Vermelho.
Sou absolutamente contra interpretar ou explicar poesia, portanto apenas copiarei aqui uma que me atingiu direto no peito. Não espero que o mesmo que aconteça com todos, mas eu gostei! :)


(In) Sensatez

daquela loucura maravilhosa
quero muitas lembranças
e nenhum vestígio

quinta-feira, setembro 22, 2005

Aos 16

Me lembro que foi aos 16 anos que escrevi essa poesia. Até hoje não possuo o bom hábito de anotar as datas, mas essa sei pelo menos em que ano foi... E também me lembro que sentei à máquina de escrever (Deus, nessa época nem computador havia!) e digitei de uma tacada só os versos que me saíam da cabeça.
Talvez tenha sido a única vez em que isso aconteceu até hoje. E eu nunca revisei ou tentei mudar alguma coisa nela. Na verdade, nem gosto dela tanto assim, mas a guardo pelo inusitado da coisa.
Não quero perdê-la nem esquecê-la, e é só por isso que ela está aqui hoje.


Paixão. Paixão e falta de clareza.
O eu. O eu misterioso e inculto,
O lado oculto da lua que brilha, suprema,
Sobre a luz do sol.
A vida. Pobre, insípida vida.
Caco de xícara estraçalhado no cimento,
Inútil, fútil vida desvalorizada.
Os soldados marcham na Terra lama,
Areia movediça de seus pensamentos.
Eles escondem suas faces, com vergonha
De sua imbecil função. Disfunção.
Apaixão – meu navio – naufraga
Nas águas do meu sofrer.
Viver! Como? No meio da lava
De vulcões precocemente extintos?
O amor se arrasta. Morre de sede,
Não há mais condições de sobrevivência.
Só há um sopro de oxigênio,
E todos morrem por ele.
Disputa inútil, mas importante:
Ao menos é algo para fazer.
Não à ilusão:
Mesmo a lua, num eclipse apoteótico,
Sucumbe ao vasto calor dos sóis,
Que se multiplicam aos milhões.
Paixão. Paixão e falta de clareza.
Foram as minhas últimas palavras.

domingo, setembro 11, 2005

Tudo o que eu devia saber na vida aprendi no Jardim de Infância

Hoje estava lendo uma reportagem no Globo, intitulada "Não dói dizer ‘por favor’, ‘obrigado’ e ‘bom-dia’" e me lembrei desse livro do Robert Fulghum - Tudo Que Eu Devia Saber na Vida Aprendi no Jardim-de-Infância.
A matéria fala sobre a crescente falta de educação dos cariocas, constatada em conversas com profissionais que lidam diretamente com o público. Tudo bem, esses profissionais muitas vezes também nos tratam pessimamente; mas isso já é outra história.
O Fulghum fala sobre coisas triviais, banais, mas nem por isso menos extraordinárias. Sobre o vizinho. Sobre as crianças. Sobre cartões de natal. Em uma das histórias do livro, está o "credo" dele, que aqui transcrevo.

********************************************
Tudo que eu preciso mesmo saber sobre como viver, o que fazer, e como ser, aprendi no jardim-de-infância. A sabedoria não estava no topo da montanha mais alta, no último ano de um curso superior, mas no tanque de areia do pátio da escolinha maternal. Vejam o que aprendi:

Dividir tudo com os companheiros.
Jogar conforme as regras do jogo.
Não bater em ninguém.
Guardar os brinquedos onde os encontrava.
Arrumar a bagunça que eu mesmo fazia.
Não tocar no que não era meu.
Pedir desculpas, se machucava alguém.
Lavar as mãos antes de comer.
Apertar a descarga da privada.
Biscoito quente e leite frio fazem bem à saúde.
Fazer de tudo um pouco - estudar, pensar e desenhar, pintar, cantar e dançar, brincar e trabalhar, de tudo um pouco - todos os dias.
Tirar uma soneca todas as tardes.
Ao sair pelo mundo, cuidado com o trânsito, ficar sempre de mãos dadas com o companheiro e sempre "de olho" na professora.

Tudo que você precisa mesmo saber está por aí, em algum lugar. A regra de ouro, o amor e os princípios de higiene. Ecologia e política, igualdade e vida saudável.
Escolha um desses itens e o elabore em termos sofisticados, em linguagem de adulto; depois aplique-o à vida de sua família, ao seu trabalho, à forma de governo do seu país, ao seu mundo, e verá que a verdade que ele contém mantém-se clara e firme. Pense o quanto o mundo seria melhor se todos nós - o mundo inteiro -fizéssemos um lanche de biscoitos com leite às 3 da tarde e depois nos deitássemos, cada um no seu colchãozinho, para uma soneca. Ou se todos os governos adotassem, como política básica, a idéia de recolocar as coisas nos lugares onde estavam quando foram retiradas; arrumar a bagunça que tivessem feito.
E é verdade, não importa quantos anos você tenha: ao sair pelo mundo, vá de mãos dadas, e fique sempre de olho no companheiro.

*******************************************************
Ingênuo? Infantil? Pode até ser. Mas eu queria - ah, como eu queria! - que a gente se lembrasse mais e se comportasse mais como quando ainda tínhamos a pureza das crianças...

quarta-feira, agosto 17, 2005

Quando me amei de verdade

Um pequeno livrinho, no original em inglês When I Loved Myself Enough , de Kim McMillen, aqui publicado em formato de bolso pela Editora Sextante, ao preço singelo de 9,90.
Pra variar, uma mensagem simples, bem no estilo auto-ajuda, mas bonita. O texto anda pela internet, como sempre mal atribuído a uma ou outra pessoa... Mas vale pela lembrança de que precisamos nos amar, antes de tudo, e também para que possamos amar aos outros.
O primeiro pedaço peguei no site da editora que, como a Amazon, publica pequenos trechos das obras.
O pedaço seguinte é o que corre por aí, mas em relação a esse não posso garantir que é a tradução correta ou que não foi adulterado.

Quando me amei de verdade, deixei de me contentar com pouca coisa.
Quando me amei de verdade, tomei contato com a minha própria bondade.
Quando me amei de verdade, comecei a valorizar o dom da vida com a maior gratidão.
Quando me amei de verdade, pude compreender que, em qualquer circunstância, eu estava no lugar certo, na hora certa.

Então, pude relaxar.
Quando me amei de verdade, consegui moderar meu ritmo e minha pressa.
E isso fez uma enorme diferença na minha vida.
Quando me amei de verdade, comprei o colchão de penas que desejava havia anos.
Quando me amei de verdade, aprendi a gostar de estar sozinha, rodeada pelo silêncio, usufruindo sua magia, prestando atenção ao meu espaço interior.
Quando me amei de verdade, percebi que posso não ser uma pessoa especial, mas que sou única.


***********************************************************************************

Quando me amei de verdade pude compreender que, em qualquer circunstância, eu estava no lugar certo, na hora certa. Então pude relaxar.
Quando me amei de verdade pude perceber que o sofrimento emocional é sinal que estou indo contra minha verdade.
Quando me amei de verdade parei de desejar que a minha vida fosse diferente e comecei a ver que tudo que acontece contribui para o meu crescimento.
Quando me amei de verdade comecei a perceber como é ofensivo forçar alguma coisa ou alguém que ainda não está preparado – inclusive eu mesma.
Quando me amei de verdade comecei a me livrar de tudo que não fosse saudável. Isso quer dizer: pessoas, tarefas, crenças e qualquer coisa que me pusesse pra baixo.
Minha razão chamou isso de egoísmo, mas eu hoje sei que é amor-próprio.
Quando me amei de verdade deixei de temer meu tempo livre e desisti de fazer planos.
Hoje faço o que acho certo e no meu próprio ritmo. Como isso é bom!
Quando me amei de verdade desisti de ficar revivendo o passado e de me preocupar com o futuro. Isso me mantêm no presente, que é onde a vida acontece.
Quando me amei de verdade percebi que a minha mente pode me atormentar e me decepcionar. Mas quando eu a coloco a serviço do meu coração, ela se torna grande e valiosa aliada!

segunda-feira, agosto 15, 2005

Imagens

Leve brisa mexendo nas árvores.
Grama verde, bem aparada.
Rio com pedras, que termina em lago e cachoeira.
Uma montanha ao longe.
Lua cor de abóbora.
Criança jogando bola na garagem.
Pai e filho na bicicleta.
Luzes distantes.
Uma rua looooooonga...não se vê o fim.
Um baralho. Um jogo.
Casal de mãos dadas.
Lareira acesa.
O vermelho escuro da taça de vinho contra a luz.
As estrelas do céu...

Relendo Pessoa

"Começo a conhecer-me. Não existo.
Sou o intervalo entre o que desejo ser e os outros me fizeram,
Ou metade desse intervalo, porque também há vida...
Sou isso, enfim...
Apague a luz, feche a porta e deixe de ter barulhos de chinelos no corredor.
Fique eu no quarto só com o grande sossego de mim mesmo.
É um universo barato."

Fernando Pessoa - Álvaro de Campos

"Não consentem os deuses mais que a vida.
Tudo pois refusemos, que nos alce
A irrespiráveis píncaros,
Perenes sem ter flores.
Só de aceitar tenhamos a ciência,
E, enquanto bate o sangue em nossas fontes,
Nem se engelha conosco
O mesmo amor, duremos,
Como vidros, às luzes transparentes
E deixando escorrer a chuva triste,
Só mornos ao sol quente,
E refletindo um pouco."

Fernando Pessoa - Ricardo Reis



Vontade de falar? Que nada. Hoje estou quieta, muda, meio deixando que a saúde afetada sei lá pelo quê tome meu corpo, deixe minha cabeça sem pensar, e me faça levitar por aí enquanto o dia passa...lento...como um barquinho de papel na água.

terça-feira, agosto 09, 2005

Ainda revirando os papéis

Hoje achei isso, sem data, sem que eu ao menos me lembre a que época ou a que caso de amor (?) se refere... Estranho revisitar memórias que se perderam!

Me desculpe por tudo que eu não sei dizer
Por tudo que não faço direito
Pelo que penso de errado
Pelo que deixo de lado

Me desculpe pelo que não chorei
E ficou preso no peito
Me desculpe a falta de jeito
E essa tristeza que sinto,
Com a qual não sei lidar.

E, antes que eu me esqueça,
(e vá embora para não mais voltar)
Me desculpe por não te amar.

segunda-feira, agosto 01, 2005

Frases

Eu coleciono frases e passagens de livros. Mas estou numa fase de me livrar de papéis, portanto acho que aqui elas ficarão melhor guardadas que nos meus armários...

"O amor é tanto, não quanto. Amar é enquanto, portanto. Ponto." - Roberto Freire, "Para quem ainda vier a me amar", no livro Ame e Dê Vexame.

"Viver tem dessas coisas. De vez em quando se fica a zero. E tudo isso é por enquanto. Enquanto se vive." - Clarice Lispector, no livro A Via Crucis do Corpo.

"As almas são árvores. De vez em quando uma folha da minha vai avoando poisar nas raízes da de você. Que sirva de adubo generoso. Com as folhas da sua, lhe garanto que cresço também." - Mario de Andrade, no livro A Lição do Amigo - Cartas de Mario de Andrade a Carlos Drummond de Andrade.

"Nenhuma vida é banal, mesmo as que o são. Sob o trivial oculta-se o extraordinário." - Mauro Rasi

"Libertar os outros das expectativas que temos em relação a eles é amá-los de verdade" - Shirley Mac Laine

"Tudo é provável. Tempo e espaço não existem. Sob a base frágil da realidade, a imaginação constrói suas formas." - Ingmar Bergman, em Fanny & Alexander

"Mas eu desconfio que a única pessoa livre, realmente livre, é a que não tem medo do ridículo." - Luis Fernando Veríssimo

E isso vai me lembrando quanta coisa já li, e que ficou meio perdido na memória...nooooossa! E quero ler ainda mais, pois descobri que tem um monte de coisa boa na coleção L&PM Pocket, tipo "On the Road" do Jack Kerouac e outros milhões de clássicos que nunca li, além de coisas que gostaria de reler, como histórias de Sherlock Holmes e do Inspetor Maigret, poesias de Camões e Neruda, Isaac Asimov, com preços que até meu bolso aguenta! Quem quiser, pode acompanhar o meu interesse aqui: http://www.lpm.com.br/lpm-pock.htm

domingo, julho 31, 2005

Meus bons amigos

Barão Vermelho

Meus bons amigos
Onde estão
Notícias de todos
Quero saber

Cada um fez sua vida
De forma diferente
Às vezes me pergunto
Malditos ou inocentes

Os nossos sonhos
Realidades
Todas as vertigens
Crueldades

Sobre os nossos ombros
Aprendemos a carregar
Toda vontade
Que faz vingar

No bem que fez
Pra mim, assim
Assim, me fez
Feliz assim

O amor sem fim
Não esconde o medo
De ser completo
E imperfeito

A música me veio à cabeça logo que acordei hoje, e está aqui para ilustrar o título do post. Eu não tive a oportunidade de escrever sobre amizade neste 20 de julho, nem mandar mensagens, pois foi um dia um pouco conturbado para mim.
Mas, como disse o sábio e nobre Mario Quintana, "a amizade é uma espécie de amor que nunca morre", e não tem hora nem lugar para ser celebrada.

Ontem eu tive o privilégio de estar em uma festa cercada por aqueles que são os meus melhores amigos. Cada um deles vem partilhando comigo de vários e diferentes momentos da minha vida (nossa! e quão diferentes, penso eu com meus botões aqui), cada qual com a sua contribuição, o seu jeito de ser, a sua única e valiosa maneira de demonstrar amor, carinho, amizade.
Dizer que eu pensei nisso ontem? Não, mentira, não pensei. Ontem me diverti e me senti muito feliz por ver, a cada olhada pro lado, pra frente, pra trás, alguém de quem gosto muito. Eu estava tão feliz que o aniversário parecia meu. Acho que dei uns vinte mil abraços...rsrs

Hoje essa felicidade continua aqui, o sorriso vindo fácil ao rosto, ao pensar nos meus bons e tão queridos amigos.
Todos já plantaram sua arvorezinha no meu coração, uma árvore de raízes fortes. Não importa que o ritmo de nossas vidas não se possa acompanhar, esteja em constante mudança e mutação. Assim é a vida, assim somos nós, seres com interesses, crenças e prioridades diversas. Eu sinto aqui dentro que a árvore pode perder as folhas, ficar meio seca, parecer sem graça, carente de atenção e dedicação, mas não morre. Bastará sempre (e apenas) um pouco de adubo e afeto e a árvore crescerá novamente, terá folhas verdes, dará frutos.
E essa sensação me enche de alegria, de conforto, de sei lá mais o quê.

Me dá vontade de retribuir em amor. Me dá vontade de dizer a todos os meus amigos: eu amo vocês! Porque pra isso não há hora nem local apropriado. Que seja aqui, então. Neste lugar que é o meu canto no meio do mundo da internet. Que seja hoje: um dia como qualquer outro, mas, principalmente, um dia feliz. :)

quarta-feira, julho 20, 2005

Dia do amigo

Amizade, tema de sempre
Artur da Távola

O mistério da amizade talvez resida no alívio trazido pela existência de alguém empático que nos acolha. Digo acolha e, não, recolha, porque aí já seria dependência de um lado e paternalismo do outro. Acolher significa receber de bom grado, previamente, sem julgamentos ou resistências. Recolher já significa proteger, paternalizar. É outro caso.
Os seres humanos vivem a julgar e suas opiniões prévias interpõem barreiras na comunicação, dificultando. O mistério da afinidade consiste na inexistência das resistências ao outro mesmo quando haja discordância com ele. Isso não deriva apenas de afeto. Quanta vez há afeto entre as pessoas sem, porém, a aceitação natural, espontânea e prévia? É afeto mais empatia profunda.
Quando se tem um amigo e a relação de ambos é independente, isto é, um não necessita do outro, a convivência é sempre desejável pois feita exclusivamente da vontade de troca.
No caso de amigos da juventude, o que será essa troca? Idéias? Pensamentos políticos, literários ou religiosos? Nem sempre.
Em primeiro lugar, parece-me ser a troca de saudades, a vontade de reter um tempo passado e atenuar a proximidade da morte com seu cortejo de ansiedades patentes ou disfarçadas.
Reter um tempo passado por intermédio das recordações, no fundo quer dizer que sentimos muita saudade de tudo o que existiu fora e dentro de nós ao tempo em que idealizávamos a vida. Éramos sonhadores. Nunca se esquece das vivências internas dos anos em que éramos feitos de muitos sonhos...
Em segundo lugar, essa troca prazenteira entre amigos é afeto puro e gratuito, um, sentimento interno de natureza amorosa no mais amplo sentido da palavra. Esse afeto provém da seguinte constatação: amizade é o que resta da amizade. Se o que resta de uma amizade é amizade, então amizade é, verdadeira!



Vou ter que continuar devendo um texto meu sobre amizade...logo esse sentimento que me é tão precioso! Hoje a inspiração não virá.
Saber que tenho amigos verdadeiros é um motivo de muita alegria na minha vida. Tento agradecer essa benção sempre que possível, pois é um privilégio ter pessoas na vida com quem se pode realmente contar.
Por enquanto, fico assim: aos meus amigos, o meu muito obrigado.

terça-feira, julho 19, 2005

Afinidade

Afinidade é um dos poucos sentimentos que resistem ao tempo e ao depois
Artur da Távola

A afinidade não é o mais brilhante, mas o mais sutil, delicado e penetrante dos sentimentos. É o mais independente. Não importa o tempo, a ausência, os adiamentos, as distâncias, as impossibilidades. Quando há afinidade, qualquer reencontro retoma a relação, o diálogo, a conversa, o afeto no exato ponto em que foi interrompido.

Afinidade é não haver tempo mediando a vida. É uma vitória do adivinhado sobre o real. Do subjetivo para o objetivo. Do permanente sobre o passageiro. Do básico sobre o superficial.

Ter afinidade é muito raro. Mas quando existe não precisa de códigos verbais para se manifestar. Existia antes do conhecimento, irradia durante e permanece depois que as pessoas deixaram de estar juntas. O que você tem dificuldade de expressar a um não afim, sai simples e claro diante de alguém com quem você tem afinidade.


Afinidade é ficar longe pensando parecido a respeito dos mesmos fatos que impressionam, comovem ou mobilizam. É ficar conversando sem trocar palavras. É receber o que vem do outro com aceitação anterior ao entendimento.

Afinidade é sentir com.
Não é sentir contra,
nem sentir para,
nem sentir por,
nem sentir pelo.

Quanta gente ama loucamente, mas sente contra o ser amado. Quantos amam e sentem para o ser amado, não para eles próprios.

Sentir com é não ter necessidade de explicar o que está sentindo. É olhar e perceber. É mais calar do que falar, ou, quando é falar, jamais explicar: apenas afirmar.

Afinidade é jamais sentir por. Quem sente por, confunde afinidade com masoquismo. Mas quem sente com, avalia sem se contaminar. Compreende sem ocupar o lugar do outro. Aceita para poder questionar. Quem não tem afinidade, questiona por não aceitar.

Afinidade é ter perdas semelhantes e iguais esperanças. É conversar no silêncio, tanto nas possibilidades exercidas quanto das impossibilidade vividas.

Afinidade é retomar a relação no ponto em que parou sem lamentar o tempo de separação. Porque tempo e separação nunca existiram. Foram apenas oportunidades dadas (tiradas) pela vida, para que a maturação comum pudesse se dar. E para que cada pessoa pudesse e possa ser, cada vez mais a expressão do outro sob a forma ampliada do eu individual aprimorado.


(e amanhã, dia do amigo, Amizade, é claro.)

segunda-feira, junho 27, 2005

Drummond

Hoje fui buscar Drummond. Foi Drummond quem me abriu os olhos para a poesia, me lembro bem, na oitava série. Ao lê-lo, tomei gosto de imediato por essa forma de expressão e logo estava comprando livros e livros de poesia. Poetas conhecidos e desconhecidos, hábito que até hoje mantenho.
É sempre bom reler Drummond, pescar sua fina ironia, sua mineirice, seu romantismo às vezes lírico, às vezes meio fora do tom.

Cerâmica

Os cacos da vida, colados, formam uma estranha xícara.
Sem uso,
ela nos espia do aparador.


Memória

Amar o perdido
deixa confundido
este coração.

Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.

As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão.

Mas as coisas findas,
muito mais que lindas,
essas ficarão.


Poesia

Gastei uma hora pensando um verso
que a pena não quer escrever.
No entanto ele está cá dentro
inquieto, vivo.
Ele está cá dentro
e não quer sair.
Mas a poesia deste momento
inunda minha vida inteira.


As Sem-Razões do Amor

Eu te amo porque te amo.
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.

Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.

Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.

Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.


Ausência

Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada, ninguém a rouba mais de mim.


Há tantos mais...difícil escolher. Fica assim, por enquanto. Depois virão outros.

quarta-feira, junho 22, 2005

Escolhas

Uma vez escrevi: "entre um e outro destino, sobrou-me o terceiro."
Na vida, nem sempre as escolhas que temos que fazer são entre opções que também escolhemos, mas entre as que se apresentam.
É claro que também sempre podemos construir novas opções, novos caminhos. Mas creio que o mais importante é saber fazer escolhas conscientes, aceitar e respeitar suas próprias decisões, e não se arrepender depois. Aprender com os erros (algo essencial e construtivo), para mim, nada tem a ver com arrependimento.
A decisão sobre qual caminho tomar, além de muitas vezes determinar outros caminhos a seguir (como em um dominó), deve ser também um motivo de alegria, sempre; independente de às vezes até nos sentirmos forçados a escolher entre opções que não nos agradam tanto assim.
Mas ter a possibilidade da escolha, por si só, é um privilégio. Ter a capacidade de tomar decisões sobre a própria vida, também. Isso é liberdade e livre arbítrio, coisas que são muito importantes para mim.
Li outro dia, em uma reportagem sobre o mundo complexo em que vivemos hoje, que o psicanalista José Ernesto Bologna disse: "As grandes questões da vida trazem três características fundamentais: compromisso, duração e profundidade emocional." A reportagem seguia dizendo: "Ou seja, antes de embatucar diante de uma escolha, pergunte-se se ela cumpre estes requisitos."
Eu não acho que há receitas para fazer escolhas bem feitas. Até porque seguir a intuição e ouvir o coração também tem muito a ver com isso. E obviamente tudo também depende do tipo de decisão a ser tomada, do risco envolvido na mudança, do impacto da decisão na vida como um todo etc.
Mas acho que se a gente decide primeiro que, seja qual for a opção, ela será vivida com intensidade, dedicação e amor, sem se pensar no que está se deixando de lado ou para trás, as chances de felicidade são maiores, mesmo que a gente nunca saiba as surpresas que o futuro nos reserva.
Portanto, que a vida nos espere com suas encruzilhadas e múltiplas saídas. E se for pra seguir sempre pela mesma reta estrada, que seja porque eu quero assim. ;)

sábado, junho 11, 2005

Semana das sem namorado - Capítulo V

41 - Compre uma toalha de banho imensa e fofa, um roupão macio, um sabonete delicioso e todos os hidratantes corporais a que você tem direito. Depois transforme sua casa em um spa. Seu corpo e espírito agradecem.

42 - Não queira ser perfeita. Perfeccionismo gera stress - e stress dá rugas.

43 - Fique longos minutos na cama depois que o despertador tocar, mentalizando só coisas boas e canalizando energias positivas para o que você tem que fazer durante o dia.

44 - Pelo menos uma vez por semana, procure estar em espaços abertos, seja na praia, na montanha, em um parque ou em uma simples praça. A natureza renova as energias.

45 - Quem disse que grupo de solteiro é coisa de mal-amado? Você não faz idéias das gargalhadas que está perdendo.

46 - Desenterre do fundo do armário aquela caixinha cheia de cartas e bilhetes de pessoas de quem você gosta. Mas só leia as legais. Nada de lágrimas...

47 - Se a barra tá difícil de segurar sozinha, busque a ajuda de quem realmente entende do assunto. Terapia dói no começo, mas faz maravilhas por você com o tempo.

48 - Gaste seus impulsos. Aproveite que não há mais censor de plantão ao lado do telefone e fofoque durante horas com suas amigas. (ou fique no msn! antigo, esse artigo! rsrs)

49 - Leia, leia, leia, até fazer pilhas de livros ao lado da cama, do sofá... Segundo a Companhia Brasileira de Letras, no Brasil as mulheres entre 20 e 40 anos lêem muito mais do que os homens. Que tal engrossar as estatísticas?

50 - Você está sem sogra. Precisa explicar?


E pronto. Chega de auto-ajuda.

sexta-feira, junho 10, 2005

Semana das sem namorado - Capítulo IV

31 - Faça ginástica facial na frente da televisão e exercite a parte interna das coxas enquanto lava a louça. É ridículo, sim. Mas e daí?

32 - No meio da semana, sem motivo nenhum, escolha um restaurante para se sentir tratada de forma especial na hora do almoço. Se não tiver companhia à altura do programa, vá sozinha mesmo e se divirta observando as pessoas à sua volta.

33 - Carregue uma máquina fotográfica na bolsa para registrar coisas aparentemente bobas.

34 - Papanicolau, colesterol, mamografia... Seus exames de saúde estão em dia? Descobrir que está tudo bem reforça o compromisso de se cuidar.

35 - Liquidação? Bazar? Quer algo mais divertido que a mulherada se espremendo no provador e disputando uma saia? Nada paga a sensação de satisfação quando você acha na muvuca aquele blazer maravilhoso, bem do seu tamanho, por alguns míseros reais!

36 - Grite as respostas certas enquanto assiste a um game show na tv, complete palavras cruzadas. Enfim: não desperdice nenhuma oportunidade de se sentir um gênio. (ui, essa pegou pesado!)

37 - Respire fundo e medite. Tenha fé. Segundo uma pesquisa da Universidade da Pensilvânia, nos EUA, essa é uma das melhores formas de aumentar a auto-estima.

38 - Adote um cachorro ou um gato. Ou os dois ao mesmo tempo. É bem mais engraçado. Ter um bicho de estimação reduz a pressão arterial e o stress. Quem garante é a pesquisadora Karen Allen, da Universidade de Nova York.

39 - Limpe o guarda-roupa. Se você não usa aquele vestido há 3 anos, não vai usá-lo mais. Doe tudo a uma instituição de caridade. Faz bem ao coração.

40 - Faça exercícios logo cedo pela manhã e sinta-se a própria mulher maravilha pelo restante do dia.

calma que o momento auto-ajuda do blog tá quase no fim...

quinta-feira, junho 09, 2005

Semana das sem namorado - Capítulo III

21 - Não perca a oportunidade de fazer algo radical. Quer saltar de pára-quedas? Por que não? Caso prefira um radical light, invista em trekking. Pode ser um bom começo.

22 - Exorcize o bicho-do-mato que há em você. Você pode estar solteira, mas precisa ver gente. E gente diferente. Isso não significa sair voando de bar em bar (embora bares de solteiros façam parte da programação). Puxe conversa na fila do banco, viaje com um grupo de solteiros, vá a uma festa mesmo sem conhecer a maioria dos convidados.


23 - Lembre-se: você não vai mais tropeçar nas meias que ele esquecia pelo caminho (e nem ajudar a procurar a gravata, o relógio, a carteira...)

24 - Turbine o dvd com um coquetel na veia de mulheres poderosas: Erin Brockovich, Shirley Valentine, Bagdad Café, Thelma e Louise...

25 - Faça o que puder para se sentir linda. Mude o corte de cabelo, incremente o número de abdominais, faça dieta. Dê-se de presente um dia de deusa.

26 - Seja voluntária em algum projeto. Ajudar os outros faz milagres por sua auto-estima.

27 - Ele adorava Schwarzenegger. Você, as comédias da Meg Ryan. Agora, suspire à vontade nas cenas de beijo.

28 - Quando estiver dirigindo, cante It's Raining Men acompanhando o CD com toda a firça qye seus pulmões permitirem.

29 - Visite uma sex shop. Hoje, 80% dos produtos dessas lojas são vendidos a mulheres de 20 a 70 anos! O que você está esperando? Dá até pra ir com a avó...

30 - Aproveite para comprar mais um sapato preto, já que você não vai ter que explicar a ninguém porque ele é tão diferente dos dez outros pares pretos que você tem no armário. Lote o carro com sacolas e vá em frente.

continua...

terça-feira, junho 07, 2005

Semana das sem namorado - Capítulo II

11 - Permita-se o direito de fazer coisas idiotas.

12 - Não vale dizer que seu hobby é assistir TV. Pense em algo diferente. Que tal fotografia? Curso de vinho? Culinária birmanesa? Filosofia indiana? É seguro contra mau-humor.

13 - Nem pense em se afundar no trabalho ou grudar em gente que nada tem a ver com você só para fugir dos tenebrosos momentos de solidão. Enfrente-os, sinta-os, desafie-os. É que nem banho gelado: pode ser desconfortável no início, mas vai fazer você se sentir novinha em folha.

14 - Acha que precisa perder peso? A gente dá o maior apoio. Cinco quilinhos a menos são poderosos para a auto-estima. Mas não invente de usar isso como desculpa para não sair da concha. Ninguém precisa se sentir Julia Roberts para ir à luta.

15 - Faça uma lista das suas dez maiores qualidades e coloque na agenda ou na porta da geladeira. Em letras garrafais. Vermelhas.

16 - O banheiro é só seu. Aproveite. Ninguém vai bater na porta pra pedir a toalha.

17 - O George Clooney a convidou para jantar? Faça a seguinte simpatia para tudo dar certo: repita 100 vezes debaixo da lua cheia a frase: “eu não preciso dele, eu não preciso dele, eu não preciso dele.” Você vai ver. Em vez de ansiosa, parecerá uma diva sexy.

18 - No lugar de se deixar ser escolhida por um homem, escolha você. Eleja quem você quer por perto.

19 - Ops! Homem errado? Não se culpe achando que ser pára-raios de maluco é a sua sina. Dá um beijo nele e tchau.


20 - Esqueça os auto-rótulos, que impedem a ação: “Ah, mas eu sou tããããõ tímida...” (ou chata, conservadora, anti-social, nervosa, entediante...) Você é o máximo. Ponto.

amanhã continua...

segunda-feira, junho 06, 2005

Semana das sem namorado - Capítulo I

Ok, quando estamos sozinhas não queremos nem ouvir falar em dia dos namorados. É comércio? É. Mas em geral só lembramos disso quando não temos ninguém pra dividir a data... E não adianta, a mídia massacra um mês antes, pelo menos. Os shoppings ficam cheios de corações. Sonhamos com fondue, mas preferíamos que fosse a dois, e não com os amigos. No jornal, na tv, em todo lugar tem namorados, menos na nossa vida. Haja paciência.

Por isso, esta semana dedicarei este blog a publicar um artigo da revista Nova (sim, claro, revista de mulherzinha) que li logo após a separação e guardei comigo. Sei lá, vai que ajuda alguém a curtir um pouquinho a vida solitária!

50 idéias para ser feliz (enquanto você está) sozinha

Está livre? Oba! Antes de sair procurando a próxima paixão, dê uma olhada em tudo o que dá pra fazer sem um homem a tiracolo. Você pode, sim, se sentir mais sexy, confiante e poderosa – e, quem sabe, até descobrir que é uma delícia ficar assim por um tempinho...

1 - Crie a lista da felicidade com as dez coisas que você mais curte fazer. Há quanto tempo não pratica algumas delas? Enumere-as tintim por tintim (sim, a mágica só funciona se for por escrito) e depois se comprometa a cumpri-las todo dia ou toda semana. Valem até as mais simples, como ligar para um amigo que você não vê há tempos, só pra dizer que se lembrou dele.

2 - Aproveite para se lambuzar com cremes tooodas as noites!!! Não vai ter ninguém para torcer o nariz pra você, né? Depois, de pernas para o alto, leia todos os rótulos dos cosméticos e acredite piamente que todas aquelas maravilhas prometidas pela sua loção dinamizadora trifásica com esferas bioativas realmente estão acontecendo nas profundezas da sua pele.

3 - Vista aquela camiseta surrada e macia que você adora sem medo de se sentir a Maggie Simpson. E durma atravessada na cama, com lençóis e travesseiros fofos só para você.

4 - Abra a agenda eletrônica. Solidão nada mais é que um estado passivo. Não espere que os outros lembrem que você existe. Tome a iniciativa. Invente um motivo para convidar aquele colega do escritório para almoçar.

5 - Sempre que pintar aquela sensação de estou-angustiada-mas-não-sei-exatamente-com-o-quê (que eles invariavelmente diagnosticam como TPM), use um truque para bancar a auto-analista: escreva um diário, desenhe ou converse com o espelho. É baratinho e clareia as idéias.

6 - Liberte-se. Experimente ler, falar ao telefone ou navegar na internet completamente sem roupa. A terapeuta americana Amy Hall, autora de “Recuperando o seu ânimo”, garante que ficar nua é um santo remédio para ajuda-la a se sentir mais confortável consigo mesma.

7 - Transforme sua casa em um Clube da Luluzinha de vez em quando e crie uma desculpa bem esdrúxula para reunir as amigas: vale qualquer coisa, de spa improvisado a sessão de vídeo.

8 - Ok, ok, a gente entende que você não queira ficar sozinha pra sempre. Mas não precisa dar uma de don-juan de saias e partir para o ataque. A gente pode se dar bem com as armas femininas mesmo. Cadê aquele seu modo sutil e charmoso de seduzir?

9 - Oba! O controle remoto agora é só seu. Use-o para o que ele realmente foi inventado: ficar parado no canal da novela e voltar 20 vezes naquele filme que fez você chorar rios de lágrimas.

10 - Encha a cozinha de produtos diet e light e a sala de chocolate. Sim, sim. O ser humano é contraditório por natureza.

amanhã continua...